Aos pés da Cruz…

Aos pés da Cruz estavam sua Mãe e o discípulo amado

(cf. Jo 19, 25-27)
A grande festa da Santa Cruz, seguida pela de Nossa Senhora das Dores, são datas comemorativas que nos permitem saborear, de modo especial, o mistério sublime do Calvário, cenário místico de nossa vocação de Monja Passionista. Somos, à semelhança da Virgem Dolorosa e do discípulo amado, aquelas que permanecem aos pés da Cruz de Jesus. Certamente, foi do permanecer na contemplação assídua do Crucificado que nosso santo Fundador recebeu, como dom do Espírito Santo, o carisma Passionista. Enquanto São Paulo da Cruz contemplava que do Coração de Jesus transpassado pela lança jorravam Sangue e Água; do seu coração, ferido de amor pelo Crucificado, afluíam as Monjas Passionistas e os Religiosos/padres Passionistas.
Permanecer, palavra tão frequente nos escritos do Apóstolo São João, que, como discípulo amado, testemunha todo o seu amor ao permanecer com perseverança, merecendo receber de Jesus o que Lhe era mais caro: sua Mãe, a Rainha dos Mártires, aquela que tendo em seu Coração Imaculado todas as dores e tormentos de seu Filho, não morre por um milagre! 1 Ela precede o discípulo amado na consagração total a Deus, que tem como fruto gerar a vida divina. Vida esta que foi gerada em suas puríssimas entranhas com a encarnação do Verbo, e em todos nós, na pessoa do discípulo amado. Eis o fruto que colhemos da Árvore da Cruz: a vida divina! Como Monjas Passionistas, em contemplação assídua do Crucificado, somos o fruto genuíno desta Árvore: “Da contemplação de Cristo Crucificado, recebem inspiração todas as vocações; da Cruz, com o dom fundamental do Espírito têm origem todos os dons, e em particular o dom da vida consagrada. 2
Assim como os frutos povoam toda a árvore, as Pombas do Crucificado ali formam o seu ninho. 3 E feridas de santo Amor, choram e gemem pelas Chagas do Corpo Místico de seu Divino Esposo: gemem diante dos próprios pecados, gemem diante de um Deus que sofre e morre, gemem diante da ingratidão humana, gemem diante da sua incapacidade de retribuir suficientemente o amor divino, gemem diante dos males da Santa Igreja, gemem diante da perda fatal de almas, gemem diante de tantas outras coisas. Mas esses gemidos não existiriam em seu coração se ele não fosse ferido pelo amor divino. Este amor divino é, portanto, a causa primária dos seus gemidos, esta é a origem das suas aflições, este é o carrasco inocente que as atormenta e consome. Queridos gemidos, dores adoráveis, gemidos de amor!4
Oh! Como são caros a Deus os gemidos dessas Pombas, sempre ávidas a reparar todas as Chagas do Corpo Místico crucificado, cuja linguagem universal é o sofrimento. Sofrimento que nos une, num único Corpo, como nos recorda o lema de pontificado do Papa Leão XIV: “Naquele que é Um, somos um”. Em uníssono, gememos com toda a criação, como em dores de parto, em companhia de Cristo Crucificado, que estará em agonia até o fim dos tempos, quando voltará e nos concederá a nova vida da ressurreição.5 Roguemos continuamente à Virgem das Dores:  
Eia, Mãe de puro amor, dai-me tua mesma dor, pra chorar contigo. Compartilhe teu amor, pra agradar o meu Senhor, que por mim morreu. Dai-me as Chagas de Jesus e que eu sempre ame a Cruz e o Divino Sangue.6
Boas Festas!
Irmã Paulina Addolorata das Santíssimas Chagas, cp
Mosteiro São Paulo da Cruz (São Carlos – BR)
  1. Vox Patris: Máximas espirituais de São Paulo da Cruz, fundador da Congregação da Paixão; Amadeu da Mãe do Bom Pastor, p. 187.
  2. Exortação Apostólica Vida Consagrada, n. 23.
  3. Documento Original no Arquivo Geral Passionista; Enrico Zoffoli, São Paulo da Cruz, História Crítica III, p. 1470.
  4. Scritti Spiritualli: II, Commento al Cantico dei Cantici: Gemito della Colomba, Beato Domenico della Madre di Dio, a cura di Fabiano Giorgini, p. 146.
  5. cf. Rm 8, 19-23.
  6. Stabat Mater